Aos meus companheiros

Não sei se já viram o novo anúncio da Sociedade Protectora dos Animais. Para os mais desatentos, faço um resumo:
A acção passa-se num cemitério. Um plano aberto mostra um funeral. Depois o plano fecha-se sobre um mulher, a viúva, que chora a sua perda. Num canto, à espreita, vê-se um cão. Assim que todos deixam o local, esse mesmo animal deita-se sobre a sepultura do dono e fica com um olhar vago e triste. "Ele nunca o abandonaria. Você era capaz de fazer o mesmo?"
Apeteceu-me lembrar, e chorar, quem me viu crescer:
- Siberi - O primeiro amor. Um rafeiro cor de mel por quem me apaixonei por volta dos cinco anos e que me acompanhou até ao 8º ano. Morreu, provavelmente envenenado, num dia em que tinha teste de inglês. Dei com ele deitado, e frio, no quintal. Era um vadio, racista, atirava-se às motas e aos carros. Perdi a conta às vezes que tivemos que o levar para o veterinário por causa disso.
- Twiggi - A minha protectora. Apareceu na minha vida, já nem sei bem como. Uma rafeira linda, branca com tons de castanho variados. Foi a melhor guarda da casa e nunca deixava que me fizessem mal. Namorou com o Siberi e tiveram filhos, entre eles o Urso e a Blind. Morreu de velhinha.
- Kasso - A paixão do meu pai. Um boxer branco, completamente alucinado e que adorava comer pássaros...também não negava umas belas dentadas aos canitos mais incautos que entravam pelos espaços do portão. Perdeu a luta contra a Leshmaniose.
- Robert Smith - Um gato rafeiro, cinzento, que levou o nome do meu idolo da altura, o vocalista dos The Cure. Por mais que eu quisesse dar-lhe mimos, não estava para aí virado e adorava dormir aos pés do meu irmão (que por sinal era muito menos meigo para ele...a celebre historia do "quanto mais me bates"). Morreu envenenado. Só me contaram depois de o terem enterrado.
- Blind - A mal amada. Nasceu em minha casa. Assiti ao parto e ajudei-a a vir ao ao mundo. Em bebé a mãe cegou-a. Cresceu, fez-se uma cadela linda, dourada, muito meiga para nós, mas revoltada. Dava tareias de morte à mãe que, já velha, não tinha forças para se defender. Ficou doente e teve que ser abatida.
- Urso - O Ran-tam-plan da Cereeira. Irmão da Blind. Castanho muito escuro. Um pachola como há poucos. Meigo, muito meigo e completamente despassarado. Um dia apanhou o portão aberto e nunca mais voltou.
- Bernardo - Cruzado de Serra da Estrela, foi um cachorro dócil, mas cresceu e tornou-se um vadio. Durante a idade adulta teve que ficar preso. Que qualidade de vida tinha assim? Nenhuma. Demos a um casal amigo que tem uma quinta. A última vez que soube dele, há uns anos, estava lindo e feliz.
- Mónica - Cadela São Bernardo que ofereceram ao meu pai no programa da RTP "Amores Perfeitos". Linda, muito medricas - tinha pavor de foguetes - e muito meiga. Das poucas que tinha autorização para entrar dentro de casa. Um dia apanhou os meus pais distraidos e foi dormir comigo. Ainda sinto o peso. Morreu há três anos. Estava minada com tumores.
- Gustavo - Filho da Mónica. Um cãozarrão de fazer perder a cabeça. Cheio de força, bruto e brincalhão. Quando tinha perto de quatro anos foi-lhe descoberto um tumor no sistema nervoso central. Ainda que benigno, começou lentamente, a toldar-lhe os movimentos. Mais cedo ou mais tarde ia deixar de andar, comer e beber... perto do Natal, o veterinário foi lá a casa e, com o meu consentimento, acabou com o seu sofrimento. Adormeceu nos meus braços como havia feito tantas vezes em cachorro...
- Mafalda (foto) - Irmã do Gustavo. Doida varrida. Neste momento "filha" única. É uma mimadona, adora festas nas maminhas e tem uma paciência de "cão" para as minhas sobrinhas.


4 Comments:
Acredites ou não, deixaste-me com as lágrimas a bailarem-me nos olhos, num vai-não-vai entre deslizo e não deslizo, páro nas lentes dos óculos ou estampo-me na secretária...
Partilho também deste sentimento que é viver com companheiros de quatro patas que, não raras vezes, nos entendem melhor do que aqueles que possuem apenas duas e se dizem "humanos"...
Não os trocaria por nada nem ninguém...
Bem-hajas por este post...
Já agora, posso linkar-te?
Beijos...
Não podes, deves!
Beijos enormes
E a jantarada?????
Considera-te "linkada"...
Beijos :*)... muitos!
"Linda, muito medricas - tinha pavor de foguetes - e muito meiga. Das poucas que tinha autorização para entrar dentro de casa. Um dia apanhou os meus pais distraidos e foi dormir comigo. Ainda sinto o peso." - Olha lá, isto é alguma "indirecta"????? E eu durmo lá com gajas, e quanto ao peso, só podes referir-te a peso pluma, num é???!!!! E medo, só mesmo de "fodetes", heheheheeh!!Ai!!! Besitos.
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